
O primeiro ano de mandato dos prefeitos goianos se encerra com um retrato preocupante das contas públicas municipais. Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que 66% das prefeituras que responderam à pesquisa no Estado, o que representa 120 dos 183 municípios participantes, estão com pagamentos de fornecedores atrasados. Além disso, 21% dos gestores que participaram do levantamento, representando 39 municípios, vão deixar contas sem cobertura orçamentária para 2026.
A pesquisa, realizada entre 14 de outubro e 5 de dezembro de 2025, considerou 183 dos 246 municípios goianos, o que representa 74% de participação do estado no diagnóstico nacional. O levantamento alcançou 4.172 municípios brasileiros, representando 75% do total do país, e revela um cenário de gestores pessimistas: 64% avaliam que a economia em 2026 será ruim ou muito ruim.
Paradoxo das contas municipais
Os dados da CNM evidenciam um paradoxo na gestão municipal goiana. Enquanto 98% das prefeituras conseguem manter os salários do funcionalismo em dia e pagar o 13º salário, a maioria enfrenta dificuldades estruturais com fornecedores, contas apertadas e um cenário econômico que promete piorar justamente em ano eleitoral.
Entre os municípios goianos que responderam à pesquisa, 93% dos gestores, correspondentes a 171 prefeituras, afirmaram que só conseguiram pagar a gratificação natalina por causa do adicional de 1% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) em dezembro, um repasse extraordinário conquistado pela CNM e pelo movimento municipalista.
No cenário nacional, o adicional de 1% do FPM totalizou R$ 7,6 bilhões em dezembro, somando-se aos R$ 6,3 bilhões já previstos para essa parcela do mês. O pagamento do 13º salário aos mais de 8,3 milhões de servidores públicos municipais no país representa um impacto financeiro estimado em R$ 33,59 bilhões.
O economista Fernando Tavares analisa que a dependência do repasse extraordinário evidencia a fragilidade estrutural das finanças municipais. “Os municípios conseguiram honrar suas obrigações com os servidores, mas o cenário revela que as receitas ordinárias nem sempre são suficientes para cobrir as despesas correntes no fim do ano. Isso demonstra que os gestores trabalham com margens muito apertadas”, observa.
Fonte: A Redação - https://aredacao.com.br/dois-em-cada-tres-municipios-goianos-acumulam-dividas-com-fornecedores-diz-levantamento-da-cnm/










