A proposta de redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais, impulsionada pela mobilização pelo fim da escala 6×1, pode provocar queda de 6,2% no PIB considerando o trabalho como fator de produção.
Estudos do FGV-Ibre e do Ipea indicam que, além da redução no PIB, a transição para 36 horas semanais pode elevar em 22% o custo da hora trabalhada para quem hoje cumpre o limite constitucional de 44 horas.
No conjunto dos vínculos celetistas, o valor médio do trabalho subiria 17,6%. O custo operacional total para as empresas aumentaria em menor proporção e seria maior nos setores mais intensivos em mão de obra.
No último dia 9, o presidente da Câmara, Hugo Motta, enviou uma PEC sobre o tema à Comissão de Constituição e Justiça. O governo Lula pretende conduzir a proposta por meio de projeto de lei, alternativa considerada mais rápida que uma emenda constitucional.
Segundo o FGV-Ibre, o impacto negativo no PIB ocorreria caso a redução fosse implementada sem contrapartida em ganhos de produtividade. Com exceção da agricultura, a produtividade no país tem permanecido praticamente estagnada nas últimas décadas.
Os efeitos não seriam uniformes. Setores com jornadas médias mais elevadas teriam maior custo de adaptação. O transporte pode registrar perda de 14,2% no valor adicionado. Na indústria extrativa, a estimativa é de recuo de 12,6%, e no comércio, de 12,2%. A administração pública teria impacto estimado em 1,7%, por já operar com jornada média próxima de 36 horas.










