Considerada uma das principais produções agrícolas do Brasil, o cultivo do algodão, ou cunicultura, como é denominado, é uma atividade em constante desenvolvimento e especialização técnica e tecnológica. Mesmo assim, ainda é pouco explorada em Goiás, com ampla oportunidade de crescimento, conforme avaliam representantes do Estado e do setor produtivo.

Goiás foi o 7º estado maior produtor, com participação de 1,5% da escala nacional, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

Isso significa que foram plantados mais de 30,3 mil hectares (ha) em 2025, com uma produção de 138,2 mil toneladas. A produtividade, calculada pela área plantada em relação à lavoura produzida, é de 4,6 toneladas por hectare.

Entre os principais municípios com grandes produtores destacam-se as cidades da região Centro-Sul de Goiás como: Chapadão do Céu (36,3 t); Luziânia (13,5 t); Cristalina (12,t); Britânia (9 t); Jussara (6 t) e Rio Verde (5,4 t).

Sobre o produto, cerca de 60% dele é aproveitado em caroço de algodão, usado na alimentação animal para a produção de ração. Enquanto isso, os outros 40% são comercializados da fibra da pluma da planta e encaminhadas às indústrias têxtil para a produção de tecidos à base de algodão.

Segundo dados da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), foram produzidas, na safra de 2025/26, pelo menos 62 mil toneladas de algodão em pluma, um aumento aproximado de 5% se comparado com a safra 2024/25. A produtividade da pluma ficou em 2 t/ha, um aumento diminuto tendo em vista a produção goiana.

Apesar da estabilidade, as exportações de algodão goiano ficaram em alta durante o mês de janeiro de 2025, ranqueando o 4º estado em número de venda, com participação de 2%. Segundo dados da pasta de agricultura, Goiás exportou US$ 14,7 milhões em 9 mil toneladas, equivalendo a US$ 1.628,91 por tonelada de algodão. O valor comercializado representa o dobro do comercializado pelo crescimento de 121,4% do bem destinado à exportação.

Entre os principais destinos da exportação de algodão goiano, em janeiro de 2025, estão países como China (37,2%), Vietnã (18,1%) e Indonésia (10,5%).

Pelo Brasil

Em 2025, o Brasil alcançou um recorde histórico, representando o maior exportador do produto do mundo pela primeira vez, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O comércio brasileiro superou as produções da China e Índia, líderes globais no comércio da fibra natural, consolidando o cultivo brasileiro.

Ainda segundo dados da Abrapa, em 2025, foram exportadas mais de 3,02 milhões de toneladas de algodão. Somente no mês de dezembro do ano passado, foi registrado o comércio de 452 mil toneladas do produto, um recorde de volume mensal ultrapassado pelo setor.

Já na produção global, o país representou aproximadamente 16% deste índice, com uma produção de 4,08 milhões de toneladas diante de 26 milhões da produção mundial. Grandes nações produtoras da fibra natural, como a China e a Índia, ficaram na frente do Brasil, com produções que ultrapassam 1/5 da escala mundial.

Propenso à expansão

A gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário da Seapa, Christiane Amorim, afirma que Goiás ainda pode crescer a sua participação de mercado com o aumento da produção em áreas anteriormente não aproveitadas. “A secretaria identifica potencial de expansão da cotonicultura, especialmente na região Sudoeste do Estado, onde há maior consolidação desses sistemas produtivos, disponibilidade de áreas agricultáveis e uso de tecnologia”, disse.