
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), mudou o tom e declarou apoio à candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República. As declarações ocorreram na tarde desta quinta-feira (9/4), na Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Este foi o primeiro encontro entre os dois políticos após a disputa interna que resultou na indicação do ex-governador de Goiás para a corrida ao Planalto em outubro.
Após conversa privada nesta quinta, ambos falaram que têm convergências para um projeto nacional, mas destacaram também suas diferenças. “Temos muito mais pontos de convergência do que diferenças. A política é justamente um instrumento da democracia para que pessoas possam conversar e construir a partir das suas diferenças e convergências um caminho comum. Caiado tem todas as condições para governar o país”, declarou Leite.
O governador do Rio Grande do Sul também disse que ele e Caiado têm uma “grande divergência de visão de Estado brasileiro em relação ao PT”. “Isso está muito claro. E também apontando diferenças que tenhamos, como é o caso da anistia”, afirmou Leite.
Ainda nesta quinta, Leite publicou nas redes sociais um comunicado em que pede desculpas e parabeniza Caiado. “Estive hoje com o governador Caiado e aproveitei para, antes de mais nada, me desculpar pela indelicadeza não intencional de não tê-lo parabenizado pela indicação como pré-candidato do PSD. Continuo discordando da leitura de cenário feita pelo partido, mas isso em nada diminui o nome ou a biografia de Caiado”, escreveu no X. “Também entreguei a ele uma carta com temas relevantes que espero ver debatidos e defendidos na campanha, e estou pronto para ajudá-lo no que estiver ao meu alcance para que possamos oferecer uma alternativa viável e real contra a polarização”, arrematou.
Leite entregou a Caiado uma carta (leia a íntegra abaixo) com pontos que considera importante, destacando sua preocupação em relação à anistia aos presos e condenados do 8 de Janeiro. “Não me parece que a pacificação nacional será alcançada com a inauguração de um governo tendo como um de seus primeiros atos a concessão de anistia ampla aos envolvidos nesses episódios”, diz o texto.
Leite e Caiado se reuniram na Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre, após um imprevisto. O gaúcho deveria receber o goiano na sede do governo estadual, o Palácio Piratini, às 10h30. A agenda não aconteceu devido a uma pane geral no controle de tráfego aéreo na região de São Paulo que deixou Leite por horas dentro de um avião em Congonhas (SP) sem poder decolar.
O encontro ocorre após um processo de decisão interna no PSD que foi marcado por uma disputa entre ambos, após a desistência do governador paranaense Ratinho Júnior, que até então detinha a preferência do dirigente Gilberto Kassab.










